Sobre o Belo e a Natureza…

Questão 1.

Um sujeito andando pelo mato encontra um galho de árvore que se parece com um animal. Fica impressionado com a semelhança e leva-o consigo para mostrar aos amigos, concluindo que se trata de uma obra de arte feita pela natureza. Qual diferença entre fazer uma obra, ou encontrar algo pronto que parece uma obra? Pense no conceito de fotografia.

Questão 2.

Você já viu uma cachoeira feia? Ou um arco-íris num céu em que você dissesse “nhé, não ficou bom!”? Ou ainda, observando um céu estrelado, pensasse “aquelas três ali, deveriam estar mais separadas, ai sim ficaria bom!”? Provavelmente, não.

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Ao se ter uma apreciação estética da natureza, ou seja, quando a colocamos no mesmo nível de obra de arte, nós a vemos como fruto de uma ação intencional. Em outras palavras, quando definimos que algo na natureza é belo, nós estamos lhe atribuindo uma causa formadora, um ente criador, um artista. Uma das formas de se interpretar uma obra de arte é justamente buscar essa intenção originária.

Desfrutar de uma obra é encontrar a intenção nela e de certa forma percorrer o processo que a produziu até chegar no seu criador.

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Nas obras, nossos juízos parecem discordar. Na natureza eles parecem unânimes: ela é perfeita, mesmo quando assustadora, o que leva a crer que o seu artista também é perfeito.

Assim, ironicamente, qual ateu não se encanta com a beleza do cosmos?

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Claro que se trata de um conceito de beleza, que pensa o belo como o fruir da consequência de uma operação artística.

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