Estética I
Introdução e Platão

Vou compartilhar aqui, para você, uma síntese do que aprendi estudando a teoria estética de alguns grandes pensadores e principalmente do filósofo alemão Immanuel Kant, porque ninguém nunca compartilhou, para você, uma síntese do que aprendeu estudando a teoria estética desses grandes pensadores e principalmente do Kant, então eu vou ser o primeiro.

Introdução

Vamos lá! Primeiro a definição: Estética é uma palavra nova, mas vem do termo grego aisthethikós, de aisthésis e significa algo como “aquele que percebe” ou “sentir”.

Vale notar que a palavra “anestesia” tem a mesma origem, sendo que o “an” é uma negação, ou seja, você não sente. Anestesiado você não percebe.

Então a estética diz respeito à forma como nós percebemos com os nossos sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato), as formas do mundo exterior e como essas formas do mundo nos impressionam. Chama-se também esse mundo de “mundo sensível”, das sensações. Nesse mundo inclui-se também as artes.

Cabe então a estética, como uma disciplina da filosofia e da arte, questionar como julgamos as coisas que percebemos, se são agradáveis ou desagradáveis. A estética pergunta-nos:

O que é belo?

Mas não devemos confundir isso com uma criação de critérios objetivos que afirmam “isso é belo e isso não é”. A estética não apresenta fórmulas prontas para as pessoas fazerem pré-julgamentos. Como uma disciplina ela é um campo de investigação que busca conceitos e não pré-conceitos. Em filosofia os conceitos devem sempre ser universalmente válidos.

Platão, as ideias e o Belo

A investigação da estética começa com a pergunta “o que é Belo?” Mas para explicar a importância do Belo, preciso falar um pouco sobre Platão e sua forma de pensar.

Antes desse pensador grego o mundo da filosofia andava meio dividido entre aqueles que acreditavam que nada no universo muda, as coisas são sempre as mesmas, e aqueles que pensavam exatamente o contrário, tudo muda, tudo está em constante transformação (devir). Platão foi o cara que achou um lugar para as duas ideias. Em essência as coisas não mudam, apenas nas aparências elas se transformam.

Por exemplo, pense na variedade absurda de árvores que existe no mundo! Mesmo assim, por mais diferentes que sejam uma das outras, nós sempre as reconhecemos como árvores. Isso acontece pois reconhecemos a essência delas. Reconhecemos um ideal de árvore que está presente em cada manifestação de árvore no mundo. Platão pensava que para tudo que existe no universo existe um ideal no mundo das ideias. Um ideal de homem, um ideal de cachorro e etc.

Mas haviam alguns ideais que eram mais importantes – mais nobres, digamos assim – eram eles: o Bom, o Belo, o Justo e o Verdadeiro. Então, ao ver algo de belo no mundo, você estaria reconhecendo parte daquele ideal de Belo. Parte apenas, pois para Platão a natureza e as coisas do mundo material são imitações dos ideais, e esses sim são perfeitos e absolutos. Logo, um artista que pinta uma tela de uma paisagem bonita, para Platão está fazendo uma cópia de uma cópia. Está nos afastando do ideal puro de Beleza, nos cobrindo com uma ilusão.

Os ideais platônicos só são alcançados pela razão e não pelos sentidos.

Perceba, que ao igualar o Belo com o Bom e o Verdadeiro, a visão de beleza de Platão é um tanto moral e política. A beleza é vista com uma utilidade. Na sua República fictícia, Platão bania o artista que não tivesse sua arte voltada para o Bem e à Verdade da sociedade. A arte pra ele é Ética e não EstÉtica.


Na imagem, uma representação da Alegoria da Caverna de Platão, onde aprendemos que nossos sentidos não são uma fonte confiável de conhecimento, pois lidam apenas com as aparências.

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