Estética II
Aristóteles e Hume

Aristóteles e a PoÉtica

Aristóteles foi aluno de Platão e teve ideias bem diferentes de seu professor. Ele pensava em três formas de conhecimento: as teoréticas (matemática e física), as práticas (ética, política, economia…) e as poéticas, que são as obras feitas, que envolve o ser em potência para o ser em ato (a semente que vira uma árvore e o tronco que vira madeira para uma mesa).

Essa produção de obras pode ser, natural (a semente para uma nova árvore), artística (o tronco para uma mesa), ou fruto do acaso. A obra na natureza tem seu fim, seu objetivo, em si mesma. Já na arte tem seu fim em algo que lhe é externo.

A arte para Aristóteles é a transformação de um material da natureza para a criação de algo, feito por um agente, o ser humano. Há uma relação bonita nessa ideia. O ser humano pode até criar coisas que não existem na natureza, mas ele só consegue fazer isso estudando e observando as transformações que acontecem nela.

Enquanto para Platão a arte era mera imitação, para Aristóteles a imitação (mimesis), é útil.

O Belo para Aritóteles diz respeito ao que é feito com certa grandeza e ordem. Assim pode ser belo algo horrendo, se foi feito com com a intensão de causar horror. Há uma ligação com a Ética aí, como Platão fez, porém de um jeito bem diferente. Uma arte que provoca uma sensação de horror, digamos, ao retratar um assassinato, está preocupada em mostrar como as coisas não devem ser. É onde entra a tal da catarse.

Enquanto Platão descartava o mundo sensível como fonte de conhecimento da Verdade, Aristóteles coloca nossas sensações com o mundo como uma forma de aprender com ele.

Hume e o Hábito

Depois de Aristóteles outros pensadores reconheceram também a importância de nossos sentidos para adquirirmos conhecimento do mundo.

David Hume, filósofo inglês do século XVIII, via nos sentidos um dos caminhos para o entendimento. Para ele o conhecimento nasce das experiências sensíveis também, mas ainda assim ele só é possível através de uma associação de ideias, que por sua vez estão relacionadas ao hábito e às ideias de causa e efeito.

Logo, para esse pensador, o gosto que temos por apreciar algo no mundo, seja na natureza ou nas artes, está relacionado a um padrão de associação de ideias. Mas esse gosto é livre, no sentido de não se submeter à regras morais e éticas. Hume separa o ideal de Belo do ideal de Bem, mostrando que alguém pode gostar de coisas que jamais praticaria. Pense num sujeito que é fã de filmes de terror, mas abomina a violência real.


Na imagem acima, a obra clássica do pintor Rafael, chamada A Escola de Atenas, retrata ao centro Platão apontando para o alto (mundo das ideias) e Aristóteles para o chão (o mundo sensível).

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