Ceticismo, certezas estéticas e vendas…

Tenho 2 certezas:
1) Todos vamos morrer um dia.
2) Posso duvidar de tudo. Até da certeza nº1.
3) Como cético eu falho em propagar a minha “doutrina”: a dúvida.

Ou não.

O cético duvida da possibilidade de ter certeza, porém não sendo radical, ele faz suas escolhas considerando que são necessárias para viver. É um risco. Optar pelo que pode ser errado. Mas ele sabe que não sabe. Negar a certeza é libertador.

Você sempre estará certo quando afirmar que não sabe de tudo.

É sempre tentador diante de qualquer afirmação, buscar uma negação. Formular um raciocínio que ande na contramão, principalmente do senso comum, quando este é usado para criar generalizações grotescas, como afirmações sobre o que é percebido em notícias sobre política.

Não é um negar por ser do contra, mas por reconhecer que a vida é mais complexa do que qualquer generalização imposta.

Sim, há um prazer em desconstruir crenças. Mas nunca quis deixar ninguém inseguro sobre suas próprias ideias, apenas fazer que o outro veja na sua cabeça cabem mais ideias, até opostas. E em alguns assuntos a escolha se torna irrelevante.

Porém, eu falho quando minhas questões não despertam a dúvida nas pessoas que convivem comigo e elas se mantém cegamente fiéis às crenças, como se fossem detentoras da Verdade.

Talvez minha lógica seja falha, ou talvez meu discurso não seja esteticamente atraente. Talvez eu precisasse ser um vendedor.

Foucault diz que uma ideia de Verdade não se mantem sem poder. E que o poder se mantem por quem produz discursos que induzem o prazer (estéticos) e cada sociedade tem seu regime de saberes, de produção de Verdade.

Se meu discurso de descrença vai diretamente contra o regime de Verdade, fica claro o porquê dele não ser prazeroso. A dúvida traz angústia. Sartre explica.

Colocar toda a faticidade (imposição de ideias, crenças, verdade), que nos cerca como objeto para nossa consciência, e criar com isso um distanciamento do que é sujeito e do que é objeto – é abraçar o Nada. Isso é angustiante, pois é viver sem um fundamento.

O cético aprendeu a amar a angústia e abraçou o vazio de uma vida sem sentido objetivo (só subjetivo).

***

Um internauta perguntou para um cético extremamente radical, o que ele achava da discussão entre Terra redonda versus Terra plana. O cético então perguntou:

– Que Terra?

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